23 de dezembro de 2011

Poema de natal




Para isso fomos feitos:

Para lembrar e ser lembrados


Para chorar e fazer chorar


Para enterrar os nossos mortos 


Por isso temos braços longos para os adeuses


Mãos para colher o que foi dado


Dedos para cavar a terra.


Assim será nossa vida:


Uma tarde sempre a esquecer


Uma estrela a se apagar na treva


Um caminho entre dois túmulos 



Por isso precisamos velar

Falar baixo, pisar leve, ver


A noite dormir em silêncio.


Não há muito o que dizer:


Uma canção sobre um berço


Um verso, talvez de amor


Uma prece por quem se vai 


Mas que essa hora não esqueça


E por ela os nossos corações


Se deixem, graves e simples.


Pois para isso fomos feitos:


Para a esperança no milagre


Para a participação da poesia


Para ver a face da morte 


De repente nunca mais esperaremos...


Hoje a noite é jovem; da morte, apenas


Nascemos, imensamente.



                           Vinícius de Moraes

16 de dezembro de 2011

O grito da lagartixa






Sempre tive repulsa a lagartixa.
Toda vez que tinha uma em casa dava um jeito de me livrar dela.
Até o dia em que me contaram que, quando foram matá-la com inseticida, antes de morrer, ela se contorceu toda e deu um grito!
Isso mesmo!
Um grito!
Acredita que fiquei com pena do bicho?
E até senti culpa por aquelas que antes eu havia me livrado!
Tudo por saber do grito.
Grito que nem escutei. Só ouvir falar.
Comovi-me com o grito!
Ela gritou e eu me curei!
Simples assim.


9 de dezembro de 2011

Para o desejo



Vai!

Não vai.

Assume...

Não.

No peito...

Dóóóiiii!

Cheios, vazios...

Insight!

Um ...

Dois ...

Trêêêsss!!!

HÁ!HÁ!HÁ!

Coragem para toda a vida!

Seu time vai ganhar!

Você é quem pode perder!

Alô coração, diz-me alguma coisa!

Escuta o som ...

A música!!!

O que ela lhe diz?

Vai!!!

O que vier depois só Deus sabe!

E o capeta também!

Hahahahahaha!

7 de dezembro de 2011

Dói, dor



São cicatrizes.

Feriu-me por todo o corpo

As veias me mostram o corpo sangrando.

O bicho morde e come tudo por dentro.

A dor?

Indizível!

A falta arde e faz morrer, pra renascer!

Queria poder voar!